segunda-feira

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#4


Gesto

Mãos que sentem.
Mãos que acolhem o peso da cabeça e a seguram como se ela fosse cair. Mãos que se descansam. As mãos que escrevem. As mãos que lêem e as que dão a ler. As que pensam e as que falam. As mãos que imitam e omitem gestos. As que acenam. As mãos que fazem, que fazem fazer. As mãos que empurram, as que unem. As mãos que se estendem, as que deitam fora, as que seguram. As que agarram. As mãos que tiram, as que dão. As mãos que matam. As que respiram. As mãos que apontam. As que se encolhem. As mãos que obrigam. As que obedecem. As mãos da terra. As mãos que partem, as que ficam. As mãos que atacam. As que protegem. As mãos que se afastam. Que se cruzam. As mãos que se abraçam, que se tocam.
Mãos que não se cansam de sentir.
A mão que toca o que vê faz a mão tocar e sentir o que o olhar observa: faz o corpo chegar perto ao que permanecia ainda afastado do mundo privado da mão.

Encontro de duas mãos.

Mão em mão ocupando cada uma o seu espaço que fica do seu lado. O espaço no meio é respirado por um corpo. Este vive, não para separar as duas mãos, vive antes para as poder unir através de braços que se abraçam. Braços, onde cada uma das mãos aparentemente fixas aparentemente em movimento, fazem outros corpos.
Cada uma, segura de si segura-se a si mesma para poder dar a sua mão à outra, e caminhar em cima dos pés, abrindo caminho ao corpo, e ele: atravessar-se a si mesmo.

Cheio ou vazio?

O silêncio é cheio de sons.

sexta-feira

A Chegar

A correr com os pés a caminho das mãos
a levar o vento ao lado do sol
a agredir campos e rios de movimento
a perseguir passos feitos de respiração
a largar palavras construídas de ausência
a desbravar matos
a predispor a coragem a existir
a provocar a re-forma de uma pele
para erguer a muralha de um instante:
chegar onde já estava,
junto de si...

Sobre os Seis Sentidos

Num outro dia que já não este, perguntaram-me: “De onde vem a inspiração dos artistas, onde é que os artistas vão buscar inspiração?
Bem, respondi que existem “coisas” que me fazem olhar e sobre elas trabalho.
Apesar de ter respondido não coloquei de parte a pergunta que me provocou o riso e a reflexão. Nunca tinha pensado sobre a inspiração, para mim apenas é necessário saber trabalhar.

Reformulei a resposta: Quem respira não precisa de inspiração…